ACM Neto: plano de governo tem 56,7% de origem sintética – 02/08/2026 – Mônica Bergamo

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Uma perícia elaborada pela especialista em propriedade intelectual Caroline Nunes concluiu que o plano de governo do ex-prefeito de Salvador ACM Neto (União Brasil) para a disputa pelo governo da Bahia apresenta 56,7% de probabilidade de origem sintética. Segundo o parecer, o resultado sugere que o documento pode ter sido parcialmente redigido ou reescrito com auxílio de inteligência artificial.

A campanha de 2026 será a primeira depois que o uso da IA se transformou em prática comum em diversas áreas do conhecimento.

O parecer analisou as 214 páginas do programa de governo e afirma que o texto apresenta “dispersão incompatível com autoria única e homogênea”, com trechos que variam de 0% a 91% de probabilidade de origem sintética. Segundo a perita, formada pela USC Gould School of Law, nos Estados Unidos, o padrão sugere que partes do documento tenham sido redigidas ou reescritas com apoio de ferramentas de IA, enquanto outras seriam de autoria humana.

A perícia afirma, por exemplo, ter encontrado indícios de intervenção humana como referências legislativas e técnicas verificadas, organização conceitual consistente e marcas típicas de edição manual, fatores que afastariam a hipótese de um documento inteiramente produzido por inteligência artificial.

Procurada, a assessoria de ACM admitiu que usou IA, mas apenas para revisão e checagem do texto. “Todas as propostas e ideias de gestão contidas no plano de governo foram elaboradas sem o uso de inteligência artificial”, diz.

Dos 50 blocos analisados, 12 superaram 80% de probabilidade de origem sintética. Os maiores índices aparecem nos capítulos dedicados à segurança pública, desenvolvimento econômico, educação, turismo, cultura, economia criativa e transformação digital. Já os trechos sobre infraestrutura e sistema socioeducativo registraram os menores indicadores.

O relatório aponta a repetição sistemática de estruturas argumentativas no texto: 45 ocorrências de “Não é X. É Y.”, 35 de “não X — Y” e 22 de “não X, mas Y”, indicando padronização incomum do estilo. Relata ainda a uniformidade de expressões como “governança”, “monitoramento”, “território”, “integrado”, “em tempo real” e “Novo Governo” em praticamente todos os capítulos.

O próprio relatório ressalva, porém, que esse padrão pode resultar tanto de coordenação editorial humana quanto de reescrita por ferramentas generativas —hipótese que o método, isoladamente, não consegue distinguir.

O relatório ressalva que seus resultados não constituem prova de autoria nem permitem afirmar quem escreveu o documento. Também destaca que detectores de conteúdo sintético apresentam maior margem de erro em português e podem produzir falsos positivos em textos submetidos a forte revisão editorial, padronização de estilo ou ferramentas de correção de texto.

“O próprio relatório ressalta que os resultados apresentados não podem ser utilizados como prova conclusiva”, diz a asessoria do candidato ao governo baiano.

com DIEGO ALEJANDRO, JULLIA GOUVEIA e KARINA MATIAS


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