Governo Lula chama de falsas razões dos EUA para revogar visto de embaixadora – 04/08/2026 – Mundo

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O governo brasileiro disse que as justificativas dadas pelos Estados Unidos para revogar o visto da embaixadora do Brasil em Washington, Maria Luiza Viotti, são falsas e acusou a gestão Donald Trump de tentar interferir nas eleições brasileiras.

A medida americana ocorreu em retaliação à demora do Brasil de conceder aval para que Daniel Perez assuma suas funções como novo embaixador dos EUA em Brasília. Também veio cerca de dez dias depois de o Itamaraty negar o visto a funcionários americanos que viriam ao país questionar as eleições.

“O Governo brasileiro repudia a decisão anunciada hoje pelo Departamento de Estado dos EUA de alterar o visto da embaixadora do Brasil em Washington. As duas justificativas apresentadas são falsas. O processo de concessão de agrément é confidencial e o nome designado só deveria vir a público depois de concedida a anuência”, diz a nota.

Auxiliares de Trump destacaram que o visto de Viotti só será reestabelecido caso o governo Lula dê a luz verde para Perez —um procedimento conhecido como agrément.

Até o momento, diplomatas do governo diziam que as recentes investidas dos EUA contra o Brasil não afetariam a concessão do agrément ao embaixador americano. Por outro lado, afirmavam que o governo Trump enviou o nome de Daniel Perez fora dos procedimentos padrões.

Embora tenham se passado mais de 30 dias desde a solicitação do agrément de Perez ao Brasil, o processo de sua nomeação se arrasta por mais tempo: são mais de dois meses desde que Trump anunciou seu nome, medida tomada antes mesmo de consulta ao governo brasileiro —o que também é incomum na diplomacia.

A praxe é que o país que envia o embaixador consulte previamente a nação anfitriã e aguarde sua manifestação antes de oficializar a indicação.

Os EUA solicitaram autorização ao Brasil para nomear Perez —no jargão diplomática chamado agrément— um mês depois de a Casa Branca tornar pública sua indicação. Ao agir dessa forma, romperam com a prática tradicional, segundo a qual o país que envia o embaixador consulta previamente a nação anfitriã e aguarda sua manifestação antes de oficializar a indicação.

Segundo o Departamento de Estado apesar das tentativas de Washington, Brasília continuou adiando e dificultando o processo. Dessa forma, a revogação do visto seria uma medida de reciprocidade.

A diplomata brasileira ainda não será expulsa dos EUA, contudo. Caso Viotti deixe os Estados Unidos, terá de solicitar um novo visto para retornar ao país, esclareceu o porta-voz —que, ao mesmo tempo, disse que novas medidas não estão descartadas caso o governo Lula não aceita a indicação de Perez, insinuando que Viotti ainda pode ser forçada a sair.

Ademais, o nome escolhido por Trump ainda não foi aprovado pelo Senado dos EUA. No último dia 22, um comitê da Casa deu o aval para que a escolha de Perez vá ao plenário, mas isso ainda não ocorreu —e, no próximo dia 10, o Legislativo americano entra em recesso até o dia 14 de setembro.

O chefe do Departamento de Estado, Marco Rubio, é um forte crítico da esquerda latino-americana e já confrontou o governo Lula em diferentes ocasiões. Logo após o anúncio do USTR (Escritório do Comércio dos EUA) de um novo tarifaço contra o Brasil, ele publicou nas redes sociais que “o presidente Lula e seu governo não negociaram com os EUA de boa-fé”.

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